Natal e Brinquedos e Imaginação
Está a chegar a altura do Natal. E como tal, todas as casas começam a ser bombardeadas com catálogos das lojas de brinquedos
Eu lembro-me que quando era mais novo gostava de ver todos os catálogos do inÃcio ao fim, encantando-me com todos os pequenos detalhes em cada novo brinquedo e jogo.
Não para escolher o que queria, pois a minha famÃlia não festeja o Natal, mas para me manter actualizado com todos os novos brinquedos – até porque a maioria são lançados mesmo na altura de Natal – e para decidir quais iria ambicionar a seguir.
E ontem estava um catálogo – bastante largo por sinal – da Toys’r'us junto com o correio e até o abri para ver o que é que se passava agora nesse mundo.
Claro que comecei pelo fim, porque lembro-me que em todos esses catálogos os brinquedos estavam dispostos por idades e todas as coisas mais interessantes estavam sempre no fim. E aparentemente agora as coisas interessantes são jogos electrónicos. E que quantidade.. Além de imensas consolas, há páginas inteiras cheias de capas de jogos.
Dei breve atenção ao estilo das capas e tÃtulos dos jogos e continuei a minha viagem pelo catálogo.. Passei por jogos de mesa – alguns já com alguma idade, como o Mauzão (!) e outros que tentam acompanhar os novos tempos, como os novos Monopólio.
Havia alguma quantidade de brinquedos de controlo remoto, desde pistas a barcos, carros, helicópteros e aviões. E mais e mais brinquedos. Aparentemente as coisas não mudaram muito.. Não notei muita diferença deste catálogo para os de que me lembro: agora há helicópteros de controlo remoto a 20€ e imensos jogos electrónicos e uns carros que mudam de cor quando são molhados (quem é que ia querer isso? ou quem é que teve esta ideia?) e menos e menos brinquedos de construção..
Pois, porque foi logo a coisa que procurei. O mÃtico Lego Mindstorms – espectacular microcontrolador de brinquedo ao qual se podem ligar diversos sensores (desde acelerómetros, giroscópios, bússola, sensores de luz, infravermelhos, cores, som, toque e distância) e ainda os servos para movimento.. Tudo isto com a capacidade de se ligar a um computador por Bluetooth e programar funções para o robot desempenhar. Ahh, que coisa mais espectacular.
Mas acabei por passar pelos Lego‘s, Playmobil, Meccano e montes de outras coisas e nada. Não estava no catálogo.. Aparentemente agora quando as crianças compram brinquedos de 300€, querem apenas brinquedos de consumo de conteúdo como consolas..
Suponho que nem todas as crianças quereriam de usar um Lego Mindstorms, mas acho que pelo menos as que gostam de Lego Technic estarão no mercado alvo. Ou mesmo que esses não estivessem interessados (duvido), os pais deles iriam logo experimentar fazer algum robot que ande sozinho pela casa a aterrorizar o cão.
É como se já ninguém espere que as crianças usem a criatividade delas.
Mas como não sou uma das personagens de South Park, vou simplesmente escrever isto e não vou fazer mais nada acerca disso.
Categoria(s): Perspectiva

Olha, agora é que falaste bem :o
Interessantemente, eu fazia o mesmo com os meus catálogos (tendo chegado à mesma interessante conclusão). Lembro-me que tinha muitos legos quando era pequena e passava o dia naquilo – e espanta-me que uma crianaça possa viver sem ter a menor vontade de construir! God, se ainda hoje em dia eu apanhasse com uma caixa deles, ainda perdia um bocado a montar alguma coisa… Se bem que o meu entusiasmo nunca passou pelo robôt (passou-me claramente ao lado, antes não tivesse e eu agora estava mais pobre e mais feliz).
Mas sim, penso que a falta de apelo à imaginação é cada vez pior. É como se os tais jogos que nem puxar pela cabeça fazem fossem a única coisa interessante. Tarefas repetitivas, yay. Se as pessoas se habituam desde pequenas a fazer nada mais que tarefas dessas, não espero que se dêem lá muito bem na vida (e daÃ, talvez, mas pronto).
Mas tu falaste do lado bonito da vida – do catálogo, que abres e lês quando queres e depois de lido vai à sua vida… E os anúncios? :D
Pois, eu ainda tenho alguns legos debaixo da cama e de vez em quando vou procurar algo, lá estão eles e ainda me divirto a montar qualquer coisa, he he
Também acho que se só conseguem fazer tarefas mecânicas e repetitivas sem imaginação, alguma coisa vai correr muito mal..
Me entristece muito ver que as crianças hoje em dia não se interessam mais pela parte mais legal da vida, que é criar. E os artistas se perdem cada vez mais cedo na infância.
Quando criança, eu gostava bastante de construir, de criar… Mas gostava tanto disso quanto, também, de desconstruir e destruir! Para descobrir como as coisas funcionavam e poder remontá-las e fazê-las funcionar novamente!
Descobre-se um Engenheiro é cedo na vida!
Pois, normalmente os rapazes gostam de abrir os brinquedos e descobrir como funcionam.. E legos permitem-nos fazer isso vezes sem conta =D