A Aposta de Pascal ou Porque É Que Não Vale a Pena Acreditar em Deus

Blog

A Aposta de Pascal (Pascal’s Wager em Inglês) define a razão pela qual a maioria das pessoas acreditam em deus. E os defeitos desse argumento definem algumas das razões usadas pelas pessoas que não acreditam em deus.

E que é que esse argumento mágico diz?

De acordo com Pascal, podemos acreditar em deus ou não acreditar, e deus pode existir ou não existir.

Então se acreditamos em deus e ele existe, vamos para o paraíso (ganhamos tudo).
Se acreditamos em deus e ele não existe, não perdemos nada.
Se não acreditamos em deus e ele existe, vamos para o inferno (perdemos tudo).
Se não acreditamos em deus e ele não existe, não perdemos nada.

Então segundo Pascal, o ideal é acreditar em deus porque isso garante o melhor resultado possível.

Vamos então dar uma vista de olhos pelos contra-argumentos à Aposta de Pascal:

Existência de vários deuses

A Aposta de Pascal não tem em consideração as mais de 3.000 entidades sobrenaturais que foram inventadas ao longo da história. E a maior parte das religiões têm o pior castigo possível para quem acredita na religião errada.

Suppose we’ve chosen the wrong god. Every time we go to church we’re just making him madder and madder.

(Imaginem que escolhemos o deus errado. Cada vez que vamos à igreja, só o fazemos ficar mais e mais furioso)

Homer Simpson

Se disserem que o vosso é que é o deus certo, tenham em conta que pessoas de todas as religiões dizem isso. E todas vêm “milagres” e todas têm a certeza que vocês é que estão errados.

Acreditar em deus é diferente de perder nada

Pascal assumiu que acreditar num deus não tem qualquer consequência má, o que não é verdade. Para seguir uma religião, é necessário obedecer a regras e tradições, acreditar em dogmas e contribuir financeiramente para a religião.

E algumas regras incluem ensinar a crianças histórias fantasiosas como se fossem verdade e meter-lhes medo de uma versão do Pai Natal para adultos.

E se considerarmos a inacção de alguém que pensa que a oração dela vai funcionar, as perdas podem ser bem maiores.

Não é possível decidir em que acreditar

Se vocês tentarem acreditar mesmo que conseguem voar, não vão conseguir.

Um deus omnisciente não ia perceber que estávamos a fingir acreditar?

Imaginemos que estamos a fingir que acreditamos para garantir o melhor resultado. Um deus omnisciente não ia logo perceber isso e enviar-nos para o inferno na mesma?

Resumindo

A resposta certa a tudo isto é não acreditar em nada até haverem boas razões para acreditar. Sejam cépticos

PS: Eu sei que o deus da Bíblia quer seguidores ignorantes (porque é que ele não queria que Adão e Eva comessem da árvore?), mas não é muito melhor decidirmos as coisas por nós próprios depois de avaliar toda a informação, do que acreditar em coisas por medo ou por experiências pessoais que são atribuíveis ao acaso, intervenção de outras pessoas ou próprias conquistas pessoais?

PS2: Ainda esta semana tive este diálogo:
– Tu acreditas em deus. Acreditas! Se estás a falar dele é porque acreditas! – disse o génio..
– Eu posso também falar do Super-Homem e isso não significa que acredite nele

A vantagem deles é que são sempre uns 5 de cada vez contra mim e mal eu responda a um, está logo outro a atacar com mais um argumento idiota. Se eles lessem alguma coisa que não fosse a Bíblia, já sabiam que todos os argumentos inventados ao longo da história têm contra-argumentos que os eliminam por completo.

4 comments on “A Aposta de Pascal ou Porque É Que Não Vale a Pena Acreditar em Deus

  • Alda

    Eu ontem vi o Harry Potter, isso quer dizer que ele existe? Foi uma revelação pessoal, sim, mas eu vi.

    Esta aposta, a meu ver, não funciona como argumento. Mesmo com a tentativa de “maximizar” o resultado, penso que é melhor viver uma vida de liberdade e apanhar uma tareia depois do que nunca ter experimentado nada. Por outro lado, também não diz nada sobre o mundo real. é um mero jogo de palavras. As palavras não afectam o mundo, da mesma forma que acreditar nas coisas também não afecta.

  • Alex

    Gosto de filosofia e raciocínio lógico e conjugo isso perfeitamente com a minha crença em Deus. O problema reside no facto das pessoas não serem dotadas de entendimento e equilíbrio e, consequentemente, caem no fanatismo e pensam que Deus tem as costas largas. Eu acredito no que acredito e não tenho o direito de derrubar a fé de ninguém, seja ela qual for. Mas a minha opinião, para terminar, e tendo em conta o que acredito, é a seguinte: um dia perceberás que estiveste errado e que uma entidade superior existe, nem que seja no dia da tua morte…
    Fica bem!

    • Ricardo Jorge

      Não acho possível ser-se céptico e crente ao mesmo tempo.
      Como alguém mais sábio que eu dizia: Se dizes que és céptico e crente, não és bom a nenhuma dessas duas coisas.

      Eu sei que é possível que uma entidade superior exista. Mas nunca me apresentaram razões que fossem suficientes para eu acreditar em qualquer das entidades de que já ouvi falar.

      E francamente, acho que se alguma entidade superior existisse, que se importe com a vida na Terra, a nossa História e o nosso mundo seriam muito diferentes.

      E até agora, tudo o que sabemos sobre o cérebro e consciência, dita que tudo isso pára quando morremos. Simplesmente deixamos de existir. Já houveram pessoas que tiveram acidentes trágicos e cuja memória acabou e criaram novas personalidades após o acidente. E até pessoas com o cérebro separado que desenvolveram personalidades diferentes nas duas partes do cérebro. Até aconteceu uma das personalidades ser crente e a outra não.

      Vídeo (http://www.youtube.com/watch?v=PFJPtVRlI64)

      Como é que concilia isto com a ideia de uma alma eterna e independente do corpo?

      A minha mãe, quando tivemos o acidente, acordou do coma com amnésia, e haviam dias em que pensava que era de uma religião diferente da dela e outros dias não. Supondo que a alma não é afectada por danos físicos ao cérebro, a alma dela não saberia qual era a real religião dela e transmitiria essa informação ao cérebro?

      Pode ser que a alma não tenha nenhuma ligação com o nosso cérebro, nem de input nem de output. Mas nesse caso, visto ser o nosso cérebro o orgão que guarda as nossas memórias e experiências e que cria a nossa consciência, quando ele morre e a nossa alma se “liberta”, o que é que a nossa alma tem que possa ser considerado nosso? Não tendo as nossas memórias, experiências ou personalidade, não há nada que a possa distinguir da alma de outra pessoa qualquer.

      Cumprimentos :D

Leave a Reply

.